Os Programas de Pós-Graduação da Fiocruz Minas tiveram excelentes resultados na Avaliação Quadrienal (2021–2024) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Os dois cursos avaliados, Saúde Coletiva e Ciências da Saúde, obtiveram conceito 6, índice que, segundo os critérios da agência, caracteriza padrões de excelência internacional. O resultado marca um avanço histórico para o Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC), que subiu da nota 5 para 6, e consolida a trajetória do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS), que manteve o mesmo conceito obtido no ciclo anterior.
Para a coordenadora do Programa de Saúde Coletiva, Taynãna Simões, a ascensão é fruto de um processo contínuo de amadurecimento institucional. Ela lembra que, na penúltima avaliação, o curso já havia evoluído da nota 4 para 5. “Esse avanço de 5 para 6 é muito desafiador, mas as avaliações e os relatórios da Capes foram importantes para a gente entender em que era necessário aprimorar e perceber a nossa capacidade institucional de crescer”, afirma.
Segundo a coordenação, três quesitos foram decisivos para o desempenho: a qualificação da formação, o impacto social das pesquisas e a internacionalização. O primeiro envolve a consolidação da identidade do programa, com planejamento estratégico alinhado às diretrizes institucionais e forte produção acadêmica de docentes e discentes. Já o impacto social se expressa em projetos desenvolvidos em rede, reunindo diferentes pesquisadores em torno de problemas comuns, o que potencializa resultados. A internacionalização, por sua vez, tem possibilitado parcerias, mobilidade e visibilidade internacional.
A coordenadora-adjunta, Paula Bevilacqua, destaca também o papel do corpo docente para a performance positiva do programa. “Temos um corpo docente bastante comprometido, com projeção nacional e internacional tanto em termos de publicações quanto de tecnologias desenvolvidas. E, agora, estamos com um cenário muito positivo, com credenciamento de novos docentes que vão fortalecer ainda mais o programa. O corpo docente é o carro-chefe, e essas novas entradas vão consolidar esse caminho”, diz.
Ela ressalta, ainda, o perfil do corpo discente, com muitos estudantes vinculados aos serviços de saúde, e o desenvolvimento de pesquisas voltadas à avaliação de políticas públicas. De acordo com Paula, esse conjunto amplia a relevância social da produção científica. “O programa gera, assim, tecnologias e evidências que ajudam a aprimorar as políticas públicas, de forma alinhada às necessidades da população”, afirma.
O apoio institucional também foi apontado pela coordenação do PPGSC como decisivo para a qualidade do programa, especialmente o trabalho da Secretaria Acadêmica, responsável por grande parte da gestão administrativa e pelo registro sistemático das informações que subsidiam a avaliação da Capes. Cabe à equipe alimentar a Plataforma Sucupira com dados sobre disciplinas, docentes, matrículas, defesas e produções acadêmicas, além de conduzir editais, seleções, bolsas e toda a rotina acadêmica. “Sem a Secretaria, especialmente a Patrícia Parreiras atua mais diretamente com o PPGSC, não conseguiríamos produzir relatórios tão qualificados. A Secretaria é uma base fundamental para o funcionamento do programa”, destaca Paula.
As coordenadoras também citam os investimentos em pesquisas, que têm forte impacto no programa de pós-graduação, por meio das agências de fomento e outros editais, como, por exemplo, os lançados pela Fiocruz Minas destinando recursos para a publicação em periódicos internacionais e para mobilidade acadêmica. Outras frentes estratégicas, segundo as coordenadoras, incluem o acompanhamento de egressos, os processos permanentes de autoavaliação e planejamento, além do fortalecimento de ações afirmativas para garantir acesso e permanência de estudantes negros, indígenas e de pessoas com deficiência.
O programa agora se prepara para avançar em novas parcerias internacionais. “Vamos receber estudantes de Angola e ampliar essa rede de internacionalização. A ideia é analisar os relatórios da Capes e se pautar nos pontos que ainda necessitam aprimorar”, afirma Paula.
Para Taynãna, o conceito 6 ganha peso adicional devido ao curto tempo de existência do curso. “Considerando que a avaliação é comparativa e que há programas mais antigos, ter aumentado a nota já neste ciclo torna essa conquista ainda maior. Agora é continuar trabalhando para fortalecer o programa cada vez mais. Estamos muito animadas”, completa.
Ciências da Saúde– Também o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) comemorou a manutenção da nota 6, alcançada nos ciclos anteriores. Para a coordenadora Cristina Toscano, o resultado consolida a qualidade acadêmica do curso. “Recebemos com grande alegria a manutenção da nota 6, atribuída a programas de excelência no Brasil. Esse reconhecimento reforça o desempenho de alta qualidade que o PPGCS vem demonstrando ao longo dos últimos anos”, afirma.
Segundo ela, a avaliação destacou de forma expressiva a identidade e a organização do programa, a qualidade da formação de recursos humanos, a geração de conhecimento científico e o impacto social das pesquisas desenvolvidas. O curso obteve avaliação muito boa nos três quesitos considerados pela Capes, evidenciando consistência, maturidade e relevância acadêmica.
Cristina atribui o resultado ao esforço coletivo de docentes, estudantes, equipe técnico-administrativa e coordenações anteriores, com agradecimento especial à gestão responsável pelo quadriênio avaliado, Nágila Secundino e Edward José Oliveira, responsáveis pela condução do PPGCS nos últimos quatro anos e pela elaboração do relatório submetido à Capes, um trabalho essencial para refletir com fidelidade a qualidade do programa e sustentar este resultado.
Ela ressalta ainda que a nota fortalece a capacidade de captação de recursos, atração de oportunidades e ampliação da formação de novos pesquisadores, contribuindo para o desenvolvimento científico e para o avanço do Sistema Único de Saúde.
“A excelência é um caminho permanente. Estamos comprometidos com uma avaliação aprofundada do programa para implementar melhorias contínuas e ampliar o impacto das nossas ações de pesquisa, ensino e inovação na sociedade”, destaca.