O Centro de Referência em Leishmanioses (CRL) da Fiocruz Minas recebeu, nessa quinta-feira (29/1), o certificado nacional de acreditação, concedido pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), um dos principais selos de qualidade assistencial do país. A certificação atesta que a unidade cumpre rigorosos padrões de qualidade e segurança no cuidado ao paciente e na organização de seus processos. Segundo a coordenadora do CRL, Mariana Junqueira, o reconhecimento reforça o compromisso da unidade com a excelência. “A conquista da acreditação é uma validação externa do trabalho que realizamos; um órgão reconhecido nacionalmente certifica que tudo o que afirmamos fazer é, de fato, executado seguindo fluxos estabelecidos e em conformidade com as exigências legais”, afirma.
O Centro de Referência em Leishmanioses atua de forma integrada em assistência, diagnóstico, ensino e suporte técnico a profissionais de saúde. Conta com uma unidade ambulatorial que recebe pacientes encaminhados por serviços públicos e privados para investigação de casos suspeitos (confirmando-os ou descartando-os), bem como para orientação do tratamento adequado. Também mantém convênios com programas de residência em infectologia e dermatologia, além de oferecer capacitação a médicos, enfermeiros e técnicos de laboratório, o que consolida sua atuação formativa. Presta, ainda, consultoria a profissionais de saúde de diferentes regiões do país, fornecendo orientação especializada sobre manejo e condução clínica e laboratorial. Na dimensão laboratorial, o centro funciona como referência para análise de amostras biológicas provenientes de unidades de saúde externas, executando exames diagnósticos sob demanda. Embora a maior parte do atendimento seja destinada a usuários do estado de Minas Gerais, principalmente da Região Metropolitana de Belo Horizonte, o serviço também recebe pacientes de outras localidades, reforçando seu papel nacional.
De acordo com a coordenadora, o trabalho que resultou na certificação do CRL teve início há cerca de quatro anos. Ao longo desse período, foram realizadas ações estruturais, revisão de procedimentos e implementação de diretrizes, processos e documentos. “Foi um processo longo, que se intensificou nos últimos dois anos, quando passamos a contar com apoio de consultoria especializada, avaliando requisito por requisito”, explica Mariana.
Entre os avanços alcançados está a formalização de procedimentos e a padronização de documentos técnicos. Segundo a coordenadora, apenas o ambulatório possui hoje cerca de 200 documentos vigentes, e a padronização garante rastreabilidade, atualização constante e transparência das ações. Esse processo permitiu transformar práticas já existentes em protocolos oficiais. “Muitas coisas já fazíamos, mas era preciso formalizar, registrar, ter versões atualizadas e evidências. Isso muda o olhar, porque dá padronização e segurança a todas as etapas”, destaca a gestora.
A segurança, aliás, é um dos pilares centrais da acreditação. A ONA avalia aspectos que vão desde o atendimento até a estrutura física da instituição, passando por gestão de riscos, notificações e resposta a incidentes. “A essência da acreditação é a garantia da segurança: do paciente, dos seus familiares, dos profissionais e dos processos. Quando essas dimensões estão asseguradas, toda a cadeia de atendimento funciona com qualidade”, ressalta.
O processo de certificação também promoveu mudanças estruturais na Fiocruz Minas, especialmente com a criação de novas comissões e núcleos internos. Surgiram, por exemplo, o Núcleo de Segurança do Paciente, a Comissão de Prontuário e a Comissão de Controle de Infecção. “A acreditação deixou claro que nenhum setor funciona isoladamente. Mesmo quem não vê o paciente faz parte do atendimento. O setor de compras, o almoxarifado, a infraestrutura, a tecnologia… todos impactam o paciente”, explica Mariana.
Outro impacto importante está relacionado à credibilidade institucional. A acreditação reforça a confiança de usuários, gestores públicos e instituições parceiras. “A Fiocruz é uma instituição centenária e consolidada. Mas quando está associada a uma certificação externa, essa credibilidade se reforça ainda mais”, avalia a coordenadora. Segundo ela, a certificação consolida o CRL como referência nacional na assistência em leishmaniose tegumentar.
Para Mariana, o selo representa uma etapa significativa, mas não um ponto final. A certificação deve ser renovada periodicamente e envolve auditorias e monitoramento contínuo. “A acreditação não é um troféu que se coloca na estante. Ela exige atualização permanente e revisão constante dos nossos processos. Agora entramos numa fase de manutenção e qualificação contínua”, completou.
A coordenadora destaca que a certificação só foi possível graças ao engajamento coletivo, por se tratar de um processo que exige envolvimento transversal entre todos os setores. “Esse não é um trabalho que um setor faz sozinho. A certificação só acontece quando todo mundo participa de forma ativa”, destaca. A coordenadora faz questão de agradecer a Janaína de Pina Carvalho, Ivanete Presot e Mariana Diniz e às equipes diretamente envolvidas, incluindo ambulatório e setores da gestão, como o Coordenação de Infraestrutura; Logística de Suprimentos (Almoxarifado); Serviço de Informática; Núcleo de Comunicação; Serviço de Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente; Serviço de Gestão de Pessoas; Núcleo de Saúde do Trabalhador; Núcleo de Patrimônio e a Vice-Diretoria de Gestão. “Estou aqui dando a entrevista, mas falo em nome de uma equipe que trabalhou arduamente. Cada área teve um papel fundamental e, se um setor não estivesse engajado como os demais, poderia comprometer o resultado”, diz
Mariana também ressalta o apoio institucional recebido ao longo da jornada. “Esse processo foi incentivado e apoiado integralmente pela direção do IRR e também Vice-presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz (VPAAPS), além da consultoria contratada. Esse suporte foi decisivo para avançarmos com segurança”, diz.