Assembleia Legislativa homenageia Fiocruz Minas pelos 70 anos de história

Para celebrar os 70 anos da Fiocruz Minas, a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou, na tarde dessa quarta-feira (27), uma solenidade para homenagear todos os diretores da unidade, desde a sua fundação.  A homenagem foi proposta pela deputada Beatriz Cerqueira, presidente da comissão, que conduziu as atividades. A mesa de autoridades contou com a presença do presidente da Fiocruz, Mário Moreira; da diretora da Fiocruz Minas, Cristiana Brito; do coordenador do Núcleo de Memória Institucional da Fiocruz Minas, Roberto Sena Rocha; da coordenadora de Estratégias de Integração Regional e Nacional da Presidência da Fiocruz, Zélia Profeta; do pesquisador Naftali Katz; e representantes de homenageados em memória, como Ana Maria Pereira da Guilha, filha de José Pedro Pereira; Bruno Ramos Vasconcelos, neto de Marcelo de Vasconcelos; Andreia Gazzinelli Correa de Oliveira, viúva de Rodrigo Correa de Oliveira; o pesquisador do IRR Omar do Santos Carvalho, ex-orientando de Roberto Milward; e  Stela Brener, filha de Zigman Brener.

Logo na abertura da sessão, a deputada Beatriz Cerqueira destacou a importância de reconhecer o trabalho daqueles que construíram e consolidaram a Fiocruz ao longo das décadas. “Nós que fazemos tantos combates em defesa das pautas do serviço público, da ciência e da saúde precisamos também reservar um tempo para celebrar”, afirmou. A parlamentar enfatizou que a homenagem é institucional e que o reconhecimento se estende a diretores vivos e aos que já faleceram, representados por familiares.

Em seguida, a diretora da Fiocruz Minas, Cristiana Brito, apresentou a trajetória da unidade, reforçando que os 70 anos da instituição representam mais do que um marco cronológico. “São sete décadas de dedicação à saúde pública brasileira, guiadas pelos princípios da Fundação Oswaldo Cruz e pela busca incessante por justiça social, equidade e bem-estar coletivo”, afirmou. A diretora também traçou um panorama histórico da unidade, mostrando como a Fiocruz Minas se tornou referência em pesquisa científica, com atuação em diferentes áreas. Cristiana destacou ainda os programas de pós-graduação, coleções biológicas, centros de referência, plataformas tecnológicas e mencionou diversos projetos especiais voltados para as populações vulneráveis.

A deputada Beatriz Cerqueira retomou a palavra para oficializar a homenagem da ALMG à instituição, por meio da entrega de diplomas referente aos votos de congratulações aos diretores e a representantes dos que já faleceram. “A Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, atendendo a requerimento da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, congratula-se com o Instituto e reverencia os 70 anos da sua fundação”, disse. O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, representou o pesquisador René Rachou (in memoriam), o primeiro diretor da unidade.

Em seu pronunciamento, Moreira reforçou a importância da instituição e destacou a relevância de diálogo com o poder legislativo. “A Fiocruz Minas, embora seja uma unidade regional, com sede em Belo Horizonte, vive hoje uma atuação que é regional, nacional e também internacional. Temos conseguido ativar uma cadeia de cooperações num momento muito difícil para a ciência e a tecnologia no Brasil. E um dos segmentos mais prioritários para esse diálogo é o Parlamento -federal, estadual e até municipal- porque é nesse espaço que podemos incidir politicamente, contribuir para a formulação de políticas e, ao mesmo tempo, aprender, ensinar e trocar. Essa homenagem, portanto, reafirma a importância dessa estratégia de articulação”, afirmou o presidente.

A coordenadora de Estratégias de Integração Regional e Nacional da Presidência da Fiocruz, Zélia Profeta, diretora da Fiocruz Minas entre 2012 e 2021, relembrou um momento importante, em que o parlamento mineiro, por meio da Comissão de Ciência e Tecnologia, que já era presidida pela deputada Beatriz Cerqueira, se uniu à Fiocruz Minas, à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em defesa da ciência. “Em 2019, diante de um cenário de desmonte da ciência, construímos um movimento que integrou diversas instituições e resultou no Fórum Técnico de Ciência, Tecnologia e Inovação para Minas Gerais, voltado a uma ciência comprometida com a justiça social e a redução das desigualdades. A pandemia nos provocou a criar uma inteligência coletiva, reunindo instituições e movimentos sociais, e, nesse processo, compreendemos que a ciência só faz sentido quando construída junto com a sociedade”, disse.

O pesquisador Naftale Katz, diretor no período entre 1971/1972 e de 1985 a 1997, agradeceu a homenagem e ressaltou a alegria de ter contribuído para o crescimento da instituição. “É uma felicidade imensa ver reconhecida uma trajetória de tantos anos. Eu acompanho essa instituição há 60 anos e posso dizer que testemunhei de perto sua evolução. Nos últimos anos, observei com entusiasmo a aproximação com a Assembleia Legislativa e com os movimentos sociais. Isso me deixa muito contente, pois revela um novo tipo de pensamento dentro da nossa comunidade, que entende que política, cultura, sociedade e comunidade não podem ser tratados isoladamente. Nós somos um conjunto, somos tudo, e não apenas parte de um tempo”, disse.

O coordenador do Núcleo de Memória Institucional da Fiocruz Minas, Roberto Sena Rocha, diretor da Fiocruz Minas entre 1997 e 2005 e de 2021 a 2025, falou sobre a responsabilidade de conduzir a unidade em tempos difíceis, contribuindo para que a instituição cumpra sua missão no desenvolvimento da ciência, do SUS e do país. “Esse reconhecimento fortalece nossa convicção de dever, não apenas como servidores públicos, mas como cidadãos que buscam transformar a sociedade. Toda essa história me enche de orgulho e honra, por ter dedicado minha vida profissional a esta instituição e ajudá-la a alcançar a dimensão e relevância que tem hoje”, destacou.

Ao encerrar a sessão, Beatriz Cerqueira ressaltou que falar sobre a Fiocruz é falar sobre saúde pública, direito de vida com dignidade, soberania e, portanto, também de democracia. “Hoje celebramos a Fiocruz Minas, suas conquistas e todos que fizeram parte dessa história. Ao homenagear mulheres e homens da ciência, enviamos uma mensagem clara: venham para a pesquisa, venham para a Fiocruz. Agradeço a todos que tornaram esta tarde tão especial. Sigamos valorizando a ciência, a saúde e a democracia.”