Fiocruz celebra aniversários em cerimônia marcada por homenagens e reflexões sobre o futuro da ciência

Comemorações conjuntas dos 125 anos da Fundação Oswaldo Cruz e dos 70 anos da Fiocruz Minas reuniram, na tarde desta quarta-feira (27/8), autoridades, trabalhadores, estudantes e convidados, em uma cerimônia realizada no auditório da unidade. O evento contou com a presença do presidente da Fiocruz, Mario Moreira, e dos membros do Conselho Deliberativo (CD) da instituição. A programação incluiu a exibição de um vídeo institucional, que revisitou a trajetória da unidade, uma apresentação do Coral Fiocantos de Minas e tradução em Libras.

Abrindo os pronunciamentos, a diretora da Fiocruz Minas, Cristiana Brito, destacou a importância da instituição e lembrou, com bom humor, uma das dificuldades históricas da instituição.  “A homenagem que eu faço aqui hoje não se baseia em números, embora sejamos uma das unidades mais produtivas da Fiocruz, com pesquisadores entre os mais citados do mundo, apesar do nosso crônico problema de espaço. Tampouco é apenas pelo nosso pioneirismo e vocação para inovação científica e tecnológica, apesar do nosso crônico problema de espaço. Nem mesmo é unicamente pelos tantos estudantes que se formaram aqui, transformando conhecimento em ação, apesar do nosso crônico problema de espaço”, disse de forma bem-humorada, divertindo a plateia. “A minha homenagem de hoje é para as pessoas, para quem ao longo de sete décadas construiu esta casa com muito trabalho, afeto e uma fé inabalável no poder da ciência a serviço da vida”, afirmou.

A diretora homenageou os ex-diretores que marcaram a trajetória da unidade e agradeceu aos atuais servidores, pesquisadores, estudantes e colaboradores. Também ressaltou que a instituição tem se consolidado pela excelência científica, pela inovação e pela rápida resposta a emergências em saúde, como durante a pandemia de Covid-19.  “Somos pesquisadores, tecnologistas, técnicos e analistas, mas, acima de tudo, somos pessoas que acreditam no valor da ciência comprometida com a transformação social. Queremos seguir reafirmando nosso papel no sistema Fiocruz e contribuindo para um país mais justo, equânime, saudável e solidário”, destacou.

O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, fez um pronunciamento que uniu reconhecimento ao passado, valorização da equipe e uma visão de futuro para toda a instituição. Logo no início, ele destacou o papel estratégico da unidade mineira dentro da Fiocruz.  “Cris, em seu nome, quero saudar todos os trabalhadores, estudantes e colaboradores que constroem no seu dia a dia a história da Fiocruz Minas, nesses 70 anos que celebramos. Vocês são uma referência de cooperação com universidades, centros de pesquisa e o sistema local de ciência. Apesar das adversidades, o instituto se mantém produtivo, inovador e comprometido com a qualidade”, afirmou.

Mario lembrou ainda que a Fiocruz, que completou 125 anos no mês de maio, se consolidou como um patrimônio da sociedade brasileira justamente por sua capacidade de se reinventar e responder a novos desafios.  “A Fiocruz o tempo todo está se reinventando, pensando em seu futuro, em como se fortalece e preenche vazios no sistema de ciência e tecnologia brasileiro. Nossa história é marcada pela tradição, mas também por olhos permanentemente voltados para o futuro. A Fiocruz Minas expressa bem esse espírito, com produção científica de excelência e capacidade de inovação”, ressaltou.

Ele também se solidarizou com as dificuldades enfrentadas pela unidade, em especial a falta de espaço físico, e ressaltou o compromisso da Presidência em buscar soluções estruturais. “Sabemos das limitações de infraestrutura e do problema histórico de espaço que atinge a Fiocruz Minas. Quero reafirmar aqui que esse é um tema presente na nossa gestão e que estamos trabalhando junto à direção da unidade e aos órgãos de governo para encontrar alternativas viáveis. Uma instituição com essa relevância merece condições adequadas para continuar crescendo”, afirmou.

Antes de finalizar, Mario destacou a importância da participação coletiva nos processos internos de definição de rumos da Fiocruz.  “Momentos como o Fórum Oswaldo Cruz e o Congresso Interno mostram a vitalidade da nossa instituição. São espaços que nos permitem pensar juntos, de maneira democrática, sobre os caminhos que devemos trilhar para fortalecer ainda mais o papel da Fiocruz no Brasil e no mundo.”

A cerimônia também foi marcada por homenagens especiais. O pesquisador Roberto Sena Rocha, que se aposentou em 2025 após quase cinco décadas de atuação na Fiocruz Minas, recebeu uma placa entregue pela diretora Cristiana Brito e pela ex-diretora Zélia Profeta da Luz. Emocionado, Roberto agradeceu:  “A minha vida foi a Fiocruz. Fiz toda a minha carreira aqui e esse reconhecimento é o maior que eu poderia ter. Estou muito feliz”, disse.

Cristiana Brito destacou que as comemorações não se encerram na data simbólica e que a unidade pretende realizar uma série de atividades até agosto de 2026. “Queremos que essa celebração seja um momento de confraternização e troca para toda a comunidade, reafirmando nossa identidade e nossa vocação. Como disse Guimarães Rosa, o real não está na saída nem na chegada, mas na travessia. Seguimos juntos nessa travessia com coragem e afeto”, concluiu.